Tuesday, February 3, 2009

OBSERVATÓRIO DO BLOQUEIO MIDIÁTICO

O Observatorio do Bloqueio Midiático é um espaço dedicado aos jornalistas e cidadãos que queiram contribuir na luta contra o bloqueio dos monopólios de comunicação em relação ao fluxo de informação para a cidadania e divulgação do conhecimento. Confira e Participe !!!!!

Evento histórico reuniu jornalistas cubanos e mineiros para debater o bloqueio midiático

Míriam Gontijo (Diretora de Relações Institucionais do SJPMG e presidente da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais)

Em visita ao Brasil, a convite  da Federação Nacional dos Jornalistas- FENAJ e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, os jornalistas e professores cubanos, Ariel Terrero e Maribel Damas, participaram de um histórico debate realizado dia 17 de novembro, com a participação dos jornalistas e ex-presidentes do sindicato mineiro, Dídimo Paiva e Tilden Santiago, e José Maria Rabêlo, fundador e diretor do jornal Binômio e autor do livro “Diáspora, os longos caminhos do exílio”, prefaciado por Fernando Morais e apresentação de Roberto Drummond.


Foi um emocionante encontro entre gerações de jornalistas, cubanos que cresceram e ainda vivem sob um bloqueio econômico, financeiro comercial, mineiros que vivenciaram e fizeram a cobertura do fato histórico que marcou o século XX , a revolução cubana. Segundo Dídimo Paiva, há muito que o debate jornalístico em Minas Gerais se transformou em um discurso único. O que é lido na edição de um jornal é repetido nos outros sem que haja diversidade de opinião, tanto que nenhum órgão privado da chamada Mídia mineira se interessou por ouvir a versão de dois profissionais experientes sobre a situação cubana, pós furacões, pós eleição do novo presidente dos EUA e pós a apresentação de requerimento feito pelo governo cubano, na Assembléia Geral da ONU, pela 17ª vez, em 29 de outubro passado, solicitando o fim do bloqueio ao país e que obteve o apoio de 185 países membros.

Também presentes, jovens jornalistas puderam fazer seus questionamentos sobre temas como Liberdade de Imprensa em Cuba, o socialismo cubano e outras questões que há muito deixaram de ser de interesse de uma américa latina dividida e em busca da sua integração.

Maribel Damas lembrou a todos, que em um mundo globalizado que apenas cinco grandes grupos controlam o fluxo informativo, é muito difícil falar de Liberdade de Imprensa. Conforme a jornalista cubana, que também é professora de jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade de Havana, a profissão em seu país é regulamentada e respeitada. Não existem jornalistas desempregados, e há carência de mão-de-obra. Ainda conforme Damas, os jornalistas cubanos são bem informados e qualificados, o que garante uma posição crítica inclusive em relação ao governo. O importante, afirma ela, é que haja a pluralidade de opiniões e não somente liberdade de “empresas”. Em seu país, mesmo sob o controle público e não privado, há um jornalismo cada vez mais investigativo e crítico, pois a população cubana é altamente exigente e culta.

Nunca se pode perder de vista que a Revolução Cubana, desde 1961, erradicou o analfabetismo, com reflexos para um país cuja população soma 11 milhões de habitantes, e infelizmente, em nosso Brasil, somos 22 milhões de analfabetos, fora os analfabetos políticos e funcionais.

Ariel Terrero é Chefe de Informação Nacional da equipe de jornalismo de investigação da Revista Bohemia, fundada em maio de 1908, e que completa este ano seu primeiro século de existência, quando foi lançada uma edição especial documentando a história da América Latina e Caribe, com registro jornalístico de reflexões compreendendo o período de 1910 até 1959 e os trabalhos correspondentes aos anos posteriores à revolução cubana integram um segundo exemplar. http://www.bohemia.cubasi.cu/index.html

Maribel Damas é Repórter do Sistema Informativo da Televisão Cubana e produtora de notícias para os telediários e programas informativos da TVC. Entre os seus trabalhos de cobertura jornalística para TV constam os recentes furacões Gustav e IKE para a Cuba y Cubavisión Internacional (2008). Outras coberturas importantes constam do seu currículo como a posse de Evo Moraes, na Bolívia (2006), posse de Tabaré Vázquez, Uruguay. (2005)

Os dois jornalistas, que também são membros da presidência da Unión de Periodistas de Cuba (UPEC), chegaram ao Brasil na semana passada e cumprem extensa agenda de atividades programadas pelos jornalistas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e São Paulo. O evento foi uma parceria da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais (ACJMMG), entidade que faz parte do movimento nacional de apoio e solidariedade a cuba (http://soycubasoyminasgerais.blog.com e acjmmg@gmail.com) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais.

Também colaboraram com o evento o Sinttel- MG (http://www.sinttelmg.org.br/index.asp e

Senge - MG( http://www.sengemg.com.br/).

 

A imprensa mineira já não cobre absolutamente nada

Adriana Gomes ((jornalista trabalhou em redações de jornal (Diário de Minas Diário da Tarde) de rádios (Inconfidência Capital) revisão (Estado de Minas Diário do Comércio) e assessorias de imprensa. Hoje integra a Assessoria de Comunicação da Assembléia Legislativa de Minas Gerais)

Participo de uma coletiva com dois jornalistas cubanos. Na verdade, eu e a repórter da TV Assembléia somos as únicas repórteres na coletiva. A imprensa mineira já não cobre absolutamente nada, a não ser polícia e mesmo assim se o caso for muito escabroso mesmo.

Depois dizem que isto e aquilo não dá ibope, que o povo não gosta disto ou daquilo. Não gosta como, se não lhe é oferecido?

Os dois visitam o Brasil, a convite da Federação dos Jornalistas com a ajuda dos Sindicatos de Jornalistas de Brasília, São Paulo, Rio e Minas Gerais. Os dois participam de um intercâmbio de jornalistas pela América Latina, mas sobretudo, reforçam a Campanha Nacional Com todos pelo Bem de Cuba.

É uma campanha transnacional com o objetivo de derrubar o bloqueio econômico imposto ao país há 50 anos pelos Estados Unidos, e que agora, parece, se aproxima do fim, pelo menos esta é a expectativa internacional, diante da eleição de Obama.

O jornalista Ariel Terrero é chefe de Informação Nacional da equipe de jornalismo de investigação da Revista Bohemia, fundada em maio de 1908.

E a jornalista Maribel Damas é repórter do Sistema Informativo da Televisão Cubana e produtora de notícias para os telediários e programas informativos da TVC. Os dois também são membros da Unión de Periodistas de Cuba (UPEC) e professores.

Naquele manjado portunhol vamos conversando com os dois, na Sala de Imprensa da Assembléia, num arremedo de entrevista que teve ainda a participação do deputado Carlin Moura, do PCdoB e da Lília Michailowsky, da bancada do PT na ALMG e diretora da Associação Cultural José Martí, que também apoiou a vinda dos cubanos.

Embargo econômico

Ao falar do quase fim do embargo dos EUA contra Cuba, Ariel Terrero disse que se isto acontecer não será por uma “concessão” dos Estados Unidos, mas fruto da luta de 50 anos do povo cubano, bem como do atual contexto político da América Latina, majoritariamente composto de governos progressistas, como Brasil, Venezuela, Equador, Uruguai, Paraguai, Bolívia.

Ele lamentou os prejuízos decorrentes do bloqueio -U$ 3 bilhões em 50 anos, segundo estimativas mais modestas - , não só em perdas materiais, mas em investimentos perdidos nas áreas de saúde, educação, agricultura, cultura. Ariel Terrero falou do atraso tecnológico na área de imprensa, “que aos poucos vamos superando, através do intercâmbio com outros jornalistas da América Latina”.

E é este intercâmbio também que permite aos cubanos mostrar sua face real ao resto do mundo, superando parte do bloqueio midiático, filhote do bloqueio econômico. E com a ajuda da internet, óbvio.

E mais recentemente (dois anos) da TV SUR, canal criado por Chávez e que tem espaço para o noticiário cubano.

Os dois jornalistas concordam que só o intercâmbio entre os profissionais de imprensa da América Latina permitirá um novo olhar sobre Cuba.

Campanha

Ariel e Maribel dão uma força para a campanha de doações ao povo cubano, assolado pela catástrofe que foi a passagem dos furacões Gustav e Ike em agosto. O Brasil participa ativamente da campanha e vai enviar navios com remédios e alimentos. O Sindicato dos Jornalistas de Minas está na campanha e arrecada roupas, mantimentos, remédios, ferramentas, cobertores, material de construção.

A prioridade da reconstrução em Cuba, é segundo Ariel Terrero, a recuperação das moradias de quase 400 mil pessoas afetadas pelos estragos dos furacões.

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ORISHAS EM BH: A MI GENTE

“Tanto placer te dáran
te dáran los hijos
Te digo que al escucharlos llorar
El orgullo de padre
se te pone a
cantar”
(Orishas/Nocchi-Gonzalez Rivero)
A Noite de 31 de janeiro na capital mineira foi marcada pelo extraordinário. No palco do CHEVROLET HALL (galeria de fotos), a principal casa de espetáculos da cidade, os Orishas se apresentavam para um público apaixonado, o que acabor por conquistar dos seus integrantes a generosidade cubana, que estava por trás do profissionailsmo e disciplina, características logo percebidas pelo público exigente.
Presentes ao show dos Orishas, a Associação Cultural José Marti de Minas, representada pela diretora -geral, Míriam Gontijo, e o presidente Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG, Aloísio Morais,presenciaram a mais linda cena do show, quando o emocionado Yotuel se abrigou sob a bandeira de Cuba jogada por conterrâneos que estavam na a platéia demonstrando o amor pelo eu país, que tem motivos de sobra para se orgulhar de seus filhos Roldán, Ruzzo e Yotuel !!!

Mais fotos

“Pa mi gente traigo ese discurso
 echo canción
para esos es que han seguido sin
dar solo
un paso atrás
fieles a mi sentir
tratando de evadir
las malas lenguas y al que habla
sin más
Pido una vez más
su compreension y aceptación
de novo estoy cantando
espero no decepcionar
no canto por cantar
canto por no llorar
salud y suerte
y que la vida les de más”
(Orishas/Nocchi - Gonzalez Rivero)

Posted by Associação Cultural Jose Marti de Minas Gerais at 02:43:30 | Permalink | No Comments »

Monday, February 2, 2009

A CONTRADIÇÃO DE GUANTÁNAMO

por Luciano Rezende*

Na década de 40, em Havana, era muito comum ouvir pela rádio a voz de Joseíto Fernández que, em um programa de enorme sucesso chamado La Guantanamera (mulher de Guantánamo), alternava trovas havaneiras com notícias extraídas das páginas policiais. Ao final de cada assunto se podia ouvir o famoso bordão “Guantanamera, guajira guantanamera”. Daí o dito popular cubano “me cantó una guantanamera” quando se quer dizer que alguma pessoa disse algo triste.


Já a famosa canção Guantanamera, tal como a conhecemos na atualidade, surgiu em 1963. Uma alegre música guajira (camponesa) embalada pelos “versos sensillos” de José Martí que nos mostra outra Guantánamo, distinta desta que é conhecida mundialmente por sediar um campo de detenção (ou concentração) e representar um dos mais infames crimes contra os direitos humanos cometidos pelos EUA sob o tacão de George W. Bush.

Essa introdução pode ser útil para entender a contradição de Guantánamo: uma província (estado) da ilha revolucionária de Cuba que abriga uma base militar dos EUA desde 1903. Há mais de um século a alegria contagiante dos guajiros guantanameros e a truculência militar yankee convivem em um mesmo torrão de uma nação soberana.

São exatos 117,6 quilômetros quadrados (ou 11.760 hectares, para facilitar a conta), incluindo grande parte das melhores baías do país, ocupados pelos Estados Unidos. Mas a título de aluguel e de escárnio, o Tio Sam paga todos os anos a quantia de 4.085 dólares (cerca de dez mil reais), ou seja, 34,7 centavos por hectare em cheques anuais que o governo de Cuba se recusa a receber por elementar dignidade e absoluto desacordo com o que ocorre nesse espaço do território nacional. Mesmo assim os cheques são encaminhados anualmente, de forma provocativa, ao Tesoureiro Geral da República de Cuba, cargo e função que há muito já não existem.

Porém, esse aluguel é a provocação menor entre uma série de outros deboches que partem ininterruptamente do vizinho imperialista (com gargalhadas da mídia hegemônica mundial) que só não tem graça para as nações que almejam verem respeitadas suas soberanias.

Como bem lembra o governo de Cuba em célebre nota intitulada “Declaração do Governo de Cuba à Opinião Pública Nacional e Internacional”, datada de 11 de janeiro de 2002, a base naval norte-americana de Guantánamo é ocupada, desde 1903, como resultado de Convênio para as Estações Carvoeiras e Navais, assinado entre o Governo dos Estados Unidos e o Governo de Cuba, então presidido por Tomás Estrada Palma, em circunstâncias que o país não tinha praticamente nenhuma independência, e pela imposição de uma emenda draconiana aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos e assinada pelo presidente McKinley, em março de 1901, conhecida como Emenda Platt. Importante que se diga que tudo isso ocorreu quando Cuba estava ocupada pelo exército dos Estados Unidos, que ali se estabeleceu depois de uma intervenção militar para “ajudar” Cuba em sua guerra de independência contra a metrópole espanhola. Muy amigos!

A referida Emenda dava aos Estados Unidos o direito de intervir em Cuba e foi imposta ao texto da Constituição como condição para a retirada das tropas americanas do território cubano. Em virtude desta cláusula, foi subscrito o mencionado Convênio para as Estações Carvoeiras e Navais de fevereiro de 1903, em Havana e Washington, que incluía duas áreas do território nacional de Cuba: Baía Honda e Guantánamo.

Trinta e um anos mais tarde, em 29 de maio de 1934, com o espírito da política norte-americana de “boa-vizinhança”, sob a presidência de Franklin Delano Roosevelt, foi assinado um novo Tratado de Relações entre a República de Cuba e os Estados Unidos da América, que revogava o de 1903, e com ele a emenda Platt. Nesse novo Tratado a Baía Honda ficava definitivamente excluída como possível base, mas se mantinha a permanência da base naval de Guantánamo e a plena vigência das normas que a regiam.

Com o triunfo da Revolução em Cuba a situação piorou e essa base se converteu em causa de numerosos atritos entre os dois países. A imensa maioria dos mais de três mil cidadãos cubanos que ali trabalhavam foram expulsos de seus postos de trabalho e substituídos por pessoal de outros países. Eram freqüentes os disparos a partir dessa instalação, a ponto de matarem soldados cubanos.

Ao longo de todo o período revolucionário, por decisão unilateral dos governantes dos Estados Unidos, dezenas de milhares de migrantes, haitianos e nacionais cubanos, que tratavam de viajar aos Estados Unidos por seus próprios meios, eram concentrados nessa base militar. Durante cinco décadas esta tem sido empregada para múltiplos usos e nenhum deles está contido no acordo com que se justificou sua presença em território cubano.

Cuba, por todo esse tempo, vem conduzindo habilmente a situação a ponto de não cair na armadilha do inimigo e tampouco entrar na provocação, apesar de toda a sorte de afrontas. Aliás, o governo de Cuba sempre alertou que essa base militar é precisamente o lugar onde soldados norte-americanos e cubanos se enfrentam frente a frente e, por essa razão, onde se necessita mais serenidade e senso de responsabilidade. Afirma que embora dispostos a lutar e morrer em defesa sua soberania e de seus direitos elementares, o mais sagrado dever do povo cubano e de seus dirigentes tem sido preservar a nação de evitáveis, desnecessárias e sangrentas guerras. Ali é o ponto onde pessoas interessadas em criar conflitos entre os dois países poderiam, com maior facilidade, instrumentar planos que servissem para provocar ações agressivas contra Cuba.

Entretanto, a maior das ações provocativas vem de 2002, quando os EUA decidem por efetivar um campo de detenção na base naval de Guantánamo. A partir daí, a soberana ilha de Cuba se vê obrigada a sediar um verdadeiro centro de torturas. Os EUA aproveitam, assim, o vazio jurídico existente para deter, interrogar e torturar centenas de prisioneiros, privando-os dos direitos mais elementares, tais como o de saberem de que são acusados, terem acesso a advogado de defesa ou ao menos contatar as suas famílias e informá-las de sua localização.

Assim, a iniciativa do presidente eleito Barack Obama de fechar em até um ano o centro de detenção de Guantánamo, a despeito de ser uma ótima peça publicitária para seu governo, merece ser saudada. O governo de Cuba considera como “bom sinal”, mas reclama, por direito, a devolução de todo o território ocupado ilegalmente.

As forças progressistas de todo o mundo não devem se contentar apenas com essa decisão. Há de se cobrar também o fechamento de outros campos de detenção americanos espalhados por todo o mundo, onde existem prisioneiros em condições similares, vítimas de torturas, e dezenas de outras prisões que circulam em navios em alto mar, por águas internacionais, com regime jurídico indefinido. Ademais, há de se julgar os Estados Unidos por todos os seus crimes de guerra.

Só assim, quando o último yankee partir de Guantánamo, o canto da guajira deixará de simbolizar mau agouro para anunciar a boa nova que virá. A Guantanamera, então, mais uma vez fará jus à letra de seu herói nacional, José Martí, que deu a própria vida pela independência de Cuba.
 
Até lá continuaremos a postos denunciando a política belicista do imperialismo e exigindo a incorporação de todo o território ocupado de Guantánamo ao seu legítimo dono: o povo de Cuba.

*Luciano Rezende, Engenheiro Agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Da Direção Nacional da União da Juventude Socialista

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