OBSERVATÓRIO DO BLOQUEIO MIDIÁTICO
O Observatorio do Bloqueio Midiático é um espaço dedicado aos jornalistas e cidadãos que queiram contribuir na luta contra o bloqueio dos monopólios de comunicação em relação ao fluxo de informação para a cidadania e divulgação do conhecimento. Confira e Participe !!!!!
Evento histórico reuniu jornalistas cubanos e mineiros para debater o bloqueio midiático
Míriam Gontijo (Diretora de Relações Institucionais do SJPMG e presidente da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais)
Em visita ao Brasil, a convite da Federação Nacional dos Jornalistas- FENAJ e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, os jornalistas e professores cubanos, Ariel Terrero e Maribel Damas, participaram de um histórico debate realizado dia 17 de novembro, com a participação dos jornalistas e ex-presidentes do sindicato mineiro, Dídimo Paiva e Tilden Santiago, e José Maria Rabêlo, fundador e diretor do jornal Binômio e autor do livro “Diáspora, os longos caminhos do exílio”, prefaciado por Fernando Morais e apresentação de Roberto Drummond.

Foi um emocionante encontro entre gerações de jornalistas, cubanos que cresceram e ainda vivem sob um bloqueio econômico, financeiro comercial, mineiros que vivenciaram e fizeram a cobertura do fato histórico que marcou o século XX , a revolução cubana. Segundo Dídimo Paiva, há muito que o debate jornalístico em Minas Gerais se transformou em um discurso único. O que é lido na edição de um jornal é repetido nos outros sem que haja diversidade de opinião, tanto que nenhum órgão privado da chamada Mídia mineira se interessou por ouvir a versão de dois profissionais experientes sobre a situação cubana, pós furacões, pós eleição do novo presidente dos EUA e pós a apresentação de requerimento feito pelo governo cubano, na Assembléia Geral da ONU, pela 17ª vez, em 29 de outubro passado, solicitando o fim do bloqueio ao país e que obteve o apoio de 185 países membros.
Também presentes, jovens jornalistas puderam fazer seus questionamentos sobre temas como Liberdade de Imprensa em Cuba, o socialismo cubano e outras questões que há muito deixaram de ser de interesse de uma américa latina dividida e em busca da sua integração.
Maribel Damas lembrou a todos, que em um mundo globalizado que apenas cinco grandes grupos controlam o fluxo informativo, é muito difícil falar de Liberdade de Imprensa. Conforme a jornalista cubana, que também é professora de jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade de Havana, a profissão em seu país é regulamentada e respeitada. Não existem jornalistas desempregados, e há carência de mão-de-obra. Ainda conforme Damas, os jornalistas cubanos são bem informados e qualificados, o que garante uma posição crítica inclusive em relação ao governo. O importante, afirma ela, é que haja a pluralidade de opiniões e não somente liberdade de “empresas”. Em seu país, mesmo sob o controle público e não privado, há um jornalismo cada vez mais investigativo e crítico, pois a população cubana é altamente exigente e culta.
Nunca se pode perder de vista que a Revolução Cubana, desde 1961, erradicou o analfabetismo, com reflexos para um país cuja população soma 11 milhões de habitantes, e infelizmente, em nosso Brasil, somos 22 milhões de analfabetos, fora os analfabetos políticos e funcionais.
Ariel Terrero é Chefe de Informação Nacional da equipe de jornalismo de investigação da Revista Bohemia, fundada em maio de 1908, e que completa este ano seu primeiro século de existência, quando foi lançada uma edição especial documentando a história da América Latina e Caribe, com registro jornalístico de reflexões compreendendo o período de 1910 até 1959 e os trabalhos correspondentes aos anos posteriores à revolução cubana integram um segundo exemplar. http://www.bohemia.cubasi.cu/index.html
Maribel Damas é Repórter do Sistema Informativo da Televisão Cubana e produtora de notícias para os telediários e programas informativos da TVC. Entre os seus trabalhos de cobertura jornalística para TV constam os recentes furacões Gustav e IKE para a Cuba y Cubavisión Internacional (2008). Outras coberturas importantes constam do seu currículo como a posse de Evo Moraes, na Bolívia (2006), posse de Tabaré Vázquez, Uruguay. (2005)
Os dois jornalistas, que também são membros da presidência da Unión de Periodistas de Cuba (UPEC), chegaram ao Brasil na semana passada e cumprem extensa agenda de atividades programadas pelos jornalistas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e São Paulo. O evento foi uma parceria da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais (ACJMMG), entidade que faz parte do movimento nacional de apoio e solidariedade a cuba (http://soycubasoyminasgerais.blog.com e acjmmg@gmail.com) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais.
Também colaboraram com o evento o Sinttel- MG (http://www.sinttelmg.org.br/index.asp e
Senge – MG( http://www.sengemg.com.br/).
A imprensa mineira já não cobre absolutamente nada
Adriana Gomes ((jornalista trabalhou em redações de jornal (Diário de Minas Diário da Tarde) de rádios (Inconfidência Capital) revisão (Estado de Minas Diário do Comércio) e assessorias de imprensa. Hoje integra a Assessoria de Comunicação da Assembléia Legislativa de Minas Gerais)
Participo de uma coletiva com dois jornalistas cubanos. Na verdade, eu e a repórter da TV Assembléia somos as únicas repórteres na coletiva. A imprensa mineira já não cobre absolutamente nada, a não ser polícia e mesmo assim se o caso for muito escabroso mesmo.
Depois dizem que isto e aquilo não dá ibope, que o povo não gosta disto ou daquilo. Não gosta como, se não lhe é oferecido?
Os dois visitam o Brasil, a convite da Federação dos Jornalistas com a ajuda dos Sindicatos de Jornalistas de Brasília, São Paulo, Rio e Minas Gerais. Os dois participam de um intercâmbio de jornalistas pela América Latina, mas sobretudo, reforçam a Campanha Nacional Com todos pelo Bem de Cuba.
É uma campanha transnacional com o objetivo de derrubar o bloqueio econômico imposto ao país há 50 anos pelos Estados Unidos, e que agora, parece, se aproxima do fim, pelo menos esta é a expectativa internacional, diante da eleição de Obama.
O jornalista Ariel Terrero é chefe de Informação Nacional da equipe de jornalismo de investigação da Revista Bohemia, fundada em maio de 1908.
E a jornalista Maribel Damas é repórter do Sistema Informativo da Televisão Cubana e produtora de notícias para os telediários e programas informativos da TVC. Os dois também são membros da Unión de Periodistas de Cuba (UPEC) e professores.
Naquele manjado portunhol vamos conversando com os dois, na Sala de Imprensa da Assembléia, num arremedo de entrevista que teve ainda a participação do deputado Carlin Moura, do PCdoB e da Lília Michailowsky, da bancada do PT na ALMG e diretora da Associação Cultural José Martí, que também apoiou a vinda dos cubanos.
Embargo econômico
Ao falar do quase fim do embargo dos EUA contra Cuba, Ariel Terrero disse que se isto acontecer não será por uma “concessão” dos Estados Unidos, mas fruto da luta de 50 anos do povo cubano, bem como do atual contexto político da América Latina, majoritariamente composto de governos progressistas, como Brasil, Venezuela, Equador, Uruguai, Paraguai, Bolívia.
Ele lamentou os prejuízos decorrentes do bloqueio -U$ 3 bilhões em 50 anos, segundo estimativas mais modestas – , não só em perdas materiais, mas em investimentos perdidos nas áreas de saúde, educação, agricultura, cultura. Ariel Terrero falou do atraso tecnológico na área de imprensa, “que aos poucos vamos superando, através do intercâmbio com outros jornalistas da América Latina”.
E é este intercâmbio também que permite aos cubanos mostrar sua face real ao resto do mundo, superando parte do bloqueio midiático, filhote do bloqueio econômico. E com a ajuda da internet, óbvio.
E mais recentemente (dois anos) da TV SUR, canal criado por Chávez e que tem espaço para o noticiário cubano.
Os dois jornalistas concordam que só o intercâmbio entre os profissionais de imprensa da América Latina permitirá um novo olhar sobre Cuba.
Campanha
Ariel e Maribel dão uma força para a campanha de doações ao povo cubano, assolado pela catástrofe que foi a passagem dos furacões Gustav e Ike em agosto. O Brasil participa ativamente da campanha e vai enviar navios com remédios e alimentos. O Sindicato dos Jornalistas de Minas está na campanha e arrecada roupas, mantimentos, remédios, ferramentas, cobertores, material de construção.
A prioridade da reconstrução em Cuba, é segundo Ariel Terrero, a recuperação das moradias de quase 400 mil pessoas afetadas pelos estragos dos furacões.









