Tuesday, February 3, 2009

OBSERVATÓRIO DO BLOQUEIO MIDIÁTICO

O Observatorio do Bloqueio Midiático é um espaço dedicado aos jornalistas e cidadãos que queiram contribuir na luta contra o bloqueio dos monopólios de comunicação em relação ao fluxo de informação para a cidadania e divulgação do conhecimento. Confira e Participe !!!!!

Evento histórico reuniu jornalistas cubanos e mineiros para debater o bloqueio midiático

Míriam Gontijo (Diretora de Relações Institucionais do SJPMG e presidente da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais)

Em visita ao Brasil, a convite  da Federação Nacional dos Jornalistas- FENAJ e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, os jornalistas e professores cubanos, Ariel Terrero e Maribel Damas, participaram de um histórico debate realizado dia 17 de novembro, com a participação dos jornalistas e ex-presidentes do sindicato mineiro, Dídimo Paiva e Tilden Santiago, e José Maria Rabêlo, fundador e diretor do jornal Binômio e autor do livro “Diáspora, os longos caminhos do exílio”, prefaciado por Fernando Morais e apresentação de Roberto Drummond.


Foi um emocionante encontro entre gerações de jornalistas, cubanos que cresceram e ainda vivem sob um bloqueio econômico, financeiro comercial, mineiros que vivenciaram e fizeram a cobertura do fato histórico que marcou o século XX , a revolução cubana. Segundo Dídimo Paiva, há muito que o debate jornalístico em Minas Gerais se transformou em um discurso único. O que é lido na edição de um jornal é repetido nos outros sem que haja diversidade de opinião, tanto que nenhum órgão privado da chamada Mídia mineira se interessou por ouvir a versão de dois profissionais experientes sobre a situação cubana, pós furacões, pós eleição do novo presidente dos EUA e pós a apresentação de requerimento feito pelo governo cubano, na Assembléia Geral da ONU, pela 17ª vez, em 29 de outubro passado, solicitando o fim do bloqueio ao país e que obteve o apoio de 185 países membros.

Também presentes, jovens jornalistas puderam fazer seus questionamentos sobre temas como Liberdade de Imprensa em Cuba, o socialismo cubano e outras questões que há muito deixaram de ser de interesse de uma américa latina dividida e em busca da sua integração.

Maribel Damas lembrou a todos, que em um mundo globalizado que apenas cinco grandes grupos controlam o fluxo informativo, é muito difícil falar de Liberdade de Imprensa. Conforme a jornalista cubana, que também é professora de jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade de Havana, a profissão em seu país é regulamentada e respeitada. Não existem jornalistas desempregados, e há carência de mão-de-obra. Ainda conforme Damas, os jornalistas cubanos são bem informados e qualificados, o que garante uma posição crítica inclusive em relação ao governo. O importante, afirma ela, é que haja a pluralidade de opiniões e não somente liberdade de “empresas”. Em seu país, mesmo sob o controle público e não privado, há um jornalismo cada vez mais investigativo e crítico, pois a população cubana é altamente exigente e culta.

Nunca se pode perder de vista que a Revolução Cubana, desde 1961, erradicou o analfabetismo, com reflexos para um país cuja população soma 11 milhões de habitantes, e infelizmente, em nosso Brasil, somos 22 milhões de analfabetos, fora os analfabetos políticos e funcionais.

Ariel Terrero é Chefe de Informação Nacional da equipe de jornalismo de investigação da Revista Bohemia, fundada em maio de 1908, e que completa este ano seu primeiro século de existência, quando foi lançada uma edição especial documentando a história da América Latina e Caribe, com registro jornalístico de reflexões compreendendo o período de 1910 até 1959 e os trabalhos correspondentes aos anos posteriores à revolução cubana integram um segundo exemplar. http://www.bohemia.cubasi.cu/index.html

Maribel Damas é Repórter do Sistema Informativo da Televisão Cubana e produtora de notícias para os telediários e programas informativos da TVC. Entre os seus trabalhos de cobertura jornalística para TV constam os recentes furacões Gustav e IKE para a Cuba y Cubavisión Internacional (2008). Outras coberturas importantes constam do seu currículo como a posse de Evo Moraes, na Bolívia (2006), posse de Tabaré Vázquez, Uruguay. (2005)

Os dois jornalistas, que também são membros da presidência da Unión de Periodistas de Cuba (UPEC), chegaram ao Brasil na semana passada e cumprem extensa agenda de atividades programadas pelos jornalistas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e São Paulo. O evento foi uma parceria da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais (ACJMMG), entidade que faz parte do movimento nacional de apoio e solidariedade a cuba (http://soycubasoyminasgerais.blog.com e acjmmg@gmail.com) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais.

Também colaboraram com o evento o Sinttel- MG (http://www.sinttelmg.org.br/index.asp e

Senge – MG( http://www.sengemg.com.br/).

 

A imprensa mineira já não cobre absolutamente nada

Adriana Gomes ((jornalista trabalhou em redações de jornal (Diário de Minas Diário da Tarde) de rádios (Inconfidência Capital) revisão (Estado de Minas Diário do Comércio) e assessorias de imprensa. Hoje integra a Assessoria de Comunicação da Assembléia Legislativa de Minas Gerais)

Participo de uma coletiva com dois jornalistas cubanos. Na verdade, eu e a repórter da TV Assembléia somos as únicas repórteres na coletiva. A imprensa mineira já não cobre absolutamente nada, a não ser polícia e mesmo assim se o caso for muito escabroso mesmo.

Depois dizem que isto e aquilo não dá ibope, que o povo não gosta disto ou daquilo. Não gosta como, se não lhe é oferecido?

Os dois visitam o Brasil, a convite da Federação dos Jornalistas com a ajuda dos Sindicatos de Jornalistas de Brasília, São Paulo, Rio e Minas Gerais. Os dois participam de um intercâmbio de jornalistas pela América Latina, mas sobretudo, reforçam a Campanha Nacional Com todos pelo Bem de Cuba.

É uma campanha transnacional com o objetivo de derrubar o bloqueio econômico imposto ao país há 50 anos pelos Estados Unidos, e que agora, parece, se aproxima do fim, pelo menos esta é a expectativa internacional, diante da eleição de Obama.

O jornalista Ariel Terrero é chefe de Informação Nacional da equipe de jornalismo de investigação da Revista Bohemia, fundada em maio de 1908.

E a jornalista Maribel Damas é repórter do Sistema Informativo da Televisão Cubana e produtora de notícias para os telediários e programas informativos da TVC. Os dois também são membros da Unión de Periodistas de Cuba (UPEC) e professores.

Naquele manjado portunhol vamos conversando com os dois, na Sala de Imprensa da Assembléia, num arremedo de entrevista que teve ainda a participação do deputado Carlin Moura, do PCdoB e da Lília Michailowsky, da bancada do PT na ALMG e diretora da Associação Cultural José Martí, que também apoiou a vinda dos cubanos.

Embargo econômico

Ao falar do quase fim do embargo dos EUA contra Cuba, Ariel Terrero disse que se isto acontecer não será por uma “concessão” dos Estados Unidos, mas fruto da luta de 50 anos do povo cubano, bem como do atual contexto político da América Latina, majoritariamente composto de governos progressistas, como Brasil, Venezuela, Equador, Uruguai, Paraguai, Bolívia.

Ele lamentou os prejuízos decorrentes do bloqueio -U$ 3 bilhões em 50 anos, segundo estimativas mais modestas – , não só em perdas materiais, mas em investimentos perdidos nas áreas de saúde, educação, agricultura, cultura. Ariel Terrero falou do atraso tecnológico na área de imprensa, “que aos poucos vamos superando, através do intercâmbio com outros jornalistas da América Latina”.

E é este intercâmbio também que permite aos cubanos mostrar sua face real ao resto do mundo, superando parte do bloqueio midiático, filhote do bloqueio econômico. E com a ajuda da internet, óbvio.

E mais recentemente (dois anos) da TV SUR, canal criado por Chávez e que tem espaço para o noticiário cubano.

Os dois jornalistas concordam que só o intercâmbio entre os profissionais de imprensa da América Latina permitirá um novo olhar sobre Cuba.

Campanha

Ariel e Maribel dão uma força para a campanha de doações ao povo cubano, assolado pela catástrofe que foi a passagem dos furacões Gustav e Ike em agosto. O Brasil participa ativamente da campanha e vai enviar navios com remédios e alimentos. O Sindicato dos Jornalistas de Minas está na campanha e arrecada roupas, mantimentos, remédios, ferramentas, cobertores, material de construção.

A prioridade da reconstrução em Cuba, é segundo Ariel Terrero, a recuperação das moradias de quase 400 mil pessoas afetadas pelos estragos dos furacões.

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ORISHAS EM BH: A MI GENTE

“Tanto placer te dáran
te dáran los hijos
Te digo que al escucharlos llorar
El orgullo de padre
se te pone a
cantar”
(Orishas/Nocchi-Gonzalez Rivero)
A Noite de 31 de janeiro na capital mineira foi marcada pelo extraordinário. No palco do CHEVROLET HALL (galeria de fotos), a principal casa de espetáculos da cidade, os Orishas se apresentavam para um público apaixonado, o que acabor por conquistar dos seus integrantes a generosidade cubana, que estava por trás do profissionailsmo e disciplina, características logo percebidas pelo público exigente.
Presentes ao show dos Orishas, a Associação Cultural José Marti de Minas, representada pela diretora -geral, Míriam Gontijo, e o presidente Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG, Aloísio Morais,presenciaram a mais linda cena do show, quando o emocionado Yotuel se abrigou sob a bandeira de Cuba jogada por conterrâneos que estavam na a platéia demonstrando o amor pelo eu país, que tem motivos de sobra para se orgulhar de seus filhos Roldán, Ruzzo e Yotuel !!!

Mais fotos

“Pa mi gente traigo ese discurso
 echo canción
para esos es que han seguido sin
dar solo
un paso atrás
fieles a mi sentir
tratando de evadir
las malas lenguas y al que habla
sin más
Pido una vez más
su compreension y aceptación
de novo estoy cantando
espero no decepcionar
no canto por cantar
canto por no llorar
salud y suerte
y que la vida les de más”
(Orishas/Nocchi – Gonzalez Rivero)

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Monday, February 2, 2009

A CONTRADIÇÃO DE GUANTÁNAMO

por Luciano Rezende*

Na década de 40, em Havana, era muito comum ouvir pela rádio a voz de Joseíto Fernández que, em um programa de enorme sucesso chamado La Guantanamera (mulher de Guantánamo), alternava trovas havaneiras com notícias extraídas das páginas policiais. Ao final de cada assunto se podia ouvir o famoso bordão “Guantanamera, guajira guantanamera”. Daí o dito popular cubano “me cantó una guantanamera” quando se quer dizer que alguma pessoa disse algo triste.


Já a famosa canção Guantanamera, tal como a conhecemos na atualidade, surgiu em 1963. Uma alegre música guajira (camponesa) embalada pelos “versos sensillos” de José Martí que nos mostra outra Guantánamo, distinta desta que é conhecida mundialmente por sediar um campo de detenção (ou concentração) e representar um dos mais infames crimes contra os direitos humanos cometidos pelos EUA sob o tacão de George W. Bush.

Essa introdução pode ser útil para entender a contradição de Guantánamo: uma província (estado) da ilha revolucionária de Cuba que abriga uma base militar dos EUA desde 1903. Há mais de um século a alegria contagiante dos guajiros guantanameros e a truculência militar yankee convivem em um mesmo torrão de uma nação soberana.

São exatos 117,6 quilômetros quadrados (ou 11.760 hectares, para facilitar a conta), incluindo grande parte das melhores baías do país, ocupados pelos Estados Unidos. Mas a título de aluguel e de escárnio, o Tio Sam paga todos os anos a quantia de 4.085 dólares (cerca de dez mil reais), ou seja, 34,7 centavos por hectare em cheques anuais que o governo de Cuba se recusa a receber por elementar dignidade e absoluto desacordo com o que ocorre nesse espaço do território nacional. Mesmo assim os cheques são encaminhados anualmente, de forma provocativa, ao Tesoureiro Geral da República de Cuba, cargo e função que há muito já não existem.

Porém, esse aluguel é a provocação menor entre uma série de outros deboches que partem ininterruptamente do vizinho imperialista (com gargalhadas da mídia hegemônica mundial) que só não tem graça para as nações que almejam verem respeitadas suas soberanias.

Como bem lembra o governo de Cuba em célebre nota intitulada “Declaração do Governo de Cuba à Opinião Pública Nacional e Internacional”, datada de 11 de janeiro de 2002, a base naval norte-americana de Guantánamo é ocupada, desde 1903, como resultado de Convênio para as Estações Carvoeiras e Navais, assinado entre o Governo dos Estados Unidos e o Governo de Cuba, então presidido por Tomás Estrada Palma, em circunstâncias que o país não tinha praticamente nenhuma independência, e pela imposição de uma emenda draconiana aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos e assinada pelo presidente McKinley, em março de 1901, conhecida como Emenda Platt. Importante que se diga que tudo isso ocorreu quando Cuba estava ocupada pelo exército dos Estados Unidos, que ali se estabeleceu depois de uma intervenção militar para “ajudar” Cuba em sua guerra de independência contra a metrópole espanhola. Muy amigos!

A referida Emenda dava aos Estados Unidos o direito de intervir em Cuba e foi imposta ao texto da Constituição como condição para a retirada das tropas americanas do território cubano. Em virtude desta cláusula, foi subscrito o mencionado Convênio para as Estações Carvoeiras e Navais de fevereiro de 1903, em Havana e Washington, que incluía duas áreas do território nacional de Cuba: Baía Honda e Guantánamo.

Trinta e um anos mais tarde, em 29 de maio de 1934, com o espírito da política norte-americana de “boa-vizinhança”, sob a presidência de Franklin Delano Roosevelt, foi assinado um novo Tratado de Relações entre a República de Cuba e os Estados Unidos da América, que revogava o de 1903, e com ele a emenda Platt. Nesse novo Tratado a Baía Honda ficava definitivamente excluída como possível base, mas se mantinha a permanência da base naval de Guantánamo e a plena vigência das normas que a regiam.

Com o triunfo da Revolução em Cuba a situação piorou e essa base se converteu em causa de numerosos atritos entre os dois países. A imensa maioria dos mais de três mil cidadãos cubanos que ali trabalhavam foram expulsos de seus postos de trabalho e substituídos por pessoal de outros países. Eram freqüentes os disparos a partir dessa instalação, a ponto de matarem soldados cubanos.

Ao longo de todo o período revolucionário, por decisão unilateral dos governantes dos Estados Unidos, dezenas de milhares de migrantes, haitianos e nacionais cubanos, que tratavam de viajar aos Estados Unidos por seus próprios meios, eram concentrados nessa base militar. Durante cinco décadas esta tem sido empregada para múltiplos usos e nenhum deles está contido no acordo com que se justificou sua presença em território cubano.

Cuba, por todo esse tempo, vem conduzindo habilmente a situação a ponto de não cair na armadilha do inimigo e tampouco entrar na provocação, apesar de toda a sorte de afrontas. Aliás, o governo de Cuba sempre alertou que essa base militar é precisamente o lugar onde soldados norte-americanos e cubanos se enfrentam frente a frente e, por essa razão, onde se necessita mais serenidade e senso de responsabilidade. Afirma que embora dispostos a lutar e morrer em defesa sua soberania e de seus direitos elementares, o mais sagrado dever do povo cubano e de seus dirigentes tem sido preservar a nação de evitáveis, desnecessárias e sangrentas guerras. Ali é o ponto onde pessoas interessadas em criar conflitos entre os dois países poderiam, com maior facilidade, instrumentar planos que servissem para provocar ações agressivas contra Cuba.

Entretanto, a maior das ações provocativas vem de 2002, quando os EUA decidem por efetivar um campo de detenção na base naval de Guantánamo. A partir daí, a soberana ilha de Cuba se vê obrigada a sediar um verdadeiro centro de torturas. Os EUA aproveitam, assim, o vazio jurídico existente para deter, interrogar e torturar centenas de prisioneiros, privando-os dos direitos mais elementares, tais como o de saberem de que são acusados, terem acesso a advogado de defesa ou ao menos contatar as suas famílias e informá-las de sua localização.

Assim, a iniciativa do presidente eleito Barack Obama de fechar em até um ano o centro de detenção de Guantánamo, a despeito de ser uma ótima peça publicitária para seu governo, merece ser saudada. O governo de Cuba considera como “bom sinal”, mas reclama, por direito, a devolução de todo o território ocupado ilegalmente.

As forças progressistas de todo o mundo não devem se contentar apenas com essa decisão. Há de se cobrar também o fechamento de outros campos de detenção americanos espalhados por todo o mundo, onde existem prisioneiros em condições similares, vítimas de torturas, e dezenas de outras prisões que circulam em navios em alto mar, por águas internacionais, com regime jurídico indefinido. Ademais, há de se julgar os Estados Unidos por todos os seus crimes de guerra.

Só assim, quando o último yankee partir de Guantánamo, o canto da guajira deixará de simbolizar mau agouro para anunciar a boa nova que virá. A Guantanamera, então, mais uma vez fará jus à letra de seu herói nacional, José Martí, que deu a própria vida pela independência de Cuba.
 
Até lá continuaremos a postos denunciando a política belicista do imperialismo e exigindo a incorporação de todo o território ocupado de Guantánamo ao seu legítimo dono: o povo de Cuba.

*Luciano Rezende, Engenheiro Agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Da Direção Nacional da União da Juventude Socialista

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Tuesday, January 6, 2009

HOMENAGEM AOS 50 ANOS DA REVOLUÇAO CUBANA E A RESISTENCIA PALESTINA

Representantes do movimento nacional de solidariedade a Cuba de Minas Gerais e Rio de janeiro realizaram no último 3 de janeiro, no tradicional  Bar Bip Bip http://www.samba-choro.com.br/casas/rio/2   em Copacabana,  Rio de Janeiro _RJ_, uma homenagem aos 50 anos da Revolução Cubana e à resistência palestina tendo sido convidados os jornalistas Mauro Santayana e  Mário Jakobskind e a presidente da Associação dos Cubanos Residentes no Brasil- Ancreb-JM, Magda Tobisco.

Ao falar para uma platéia de jovens e experientes senhores, Jakobskind pautou seu discurso pela denúncia ao bloqueio midiático que há 50 anos, completos em 1º de janeiro de 2009, quando do triunfo do movimento 26 de julho responsável por uma incrível vitória sobre o exército do ditador Fulgêncio Batista.


 
Jakobskind aproveita para denunciar a mais nova ofensiva à revolução cubana conforme exposto no artigo :

Os (des)indicadores sociais de O Globo

 
Mário Augusto Jakobskind 
 
 
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Monday, October 20, 2008

COM TODOS PARA O BEM DE CUBA


Em visita ao Brasil, a convite da Federação dos Jornalistas com a ajuda dos Sindicatos de Jornalistas de Brasília, São Paulo, Rio e Minas Gerais  dois jornalistas cubanos  reforçam a Campanha Nacional Com todos pelo Bem de Cuba.

É uma campanha transnacional com o objetivo de derrubar o bloqueio econômico imposto ao país há 50 anos pelos Estados Unidos, e que agora, parece, se aproxima do fim, pelo menos esta é a expectativa internacional, diante da eleição de Obama.

O jornalista Ariel Terrero é chefe de Informação Nacional da equipe de jornalismo de investigação da Revista Bohemia, fundada em maio de 1908.

E a jornalista Maribel Damas é repórter do Sistema Informativo da Televisão Cubana e produtora de notícias para os telediários e programas informativos da TVC. Os dois também são membros da Unión de Periodistas de Cuba (UPEC) e professores. Os dois participaram em Belo Horizonte do Debate sobre o Bloqueio Midiático, uma promoção conjunta da Associação Cultural Jose Marti de MG, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG e Associação dos Cubanos residentes em Cuba.

Lançada na sede da Associação Brasileira de Imprensa- ABI, com Oscar Niemeyer como presidente de Honra, a Campanha Humanitária “Com todos para o bem de Cuba” (www.porcuba.com.br).
 
Promovida pela Associação dos Cubanos Residentes no Brasil- José Marti (ANCREB_JM) com o apoio de entidades do movimento brasileiro de solidariedade a Cuba. “Por quem merece amor”, será o tema central da campanha, em um justo reconhecimento ao povo que, ao longo dos anos, tem dado inúmeras provas de solidariedade humana.

Para doar por meio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais basta mandar um e-mail para a Associação Cultural José Marti de Minas Gerais acjmmg@gmail.com.  se identificando e descrevendo o item a ser doado.

Após a aprovação do SJPMG, constatada vaga disponível, o doador será imediatamente comunicado para que possa fazer a entrega na sede da entidade, à Av. Álvares Cabral, 400, Centro, de segunda a sexta , no período compreendido entre 8h30 às 18h nas pessoas de Paula ou Gicele, a quem devem entregar a doação e o e-mail de confirmação.

A coleta será no período de 20 de outubro a 20 de novembro e será depois fornecido um balanço das arrecadações e a data de envio a Cuba. As doações poderão ser conforme a lista de necessidades prioritárias apontada pelas autoridades cubanas :

- Peças de reposição para bicicletas: pneus, borrachas infláveis, freios, etc

- Ferramentas pequenas multiusos: fita isolante tipo prata americana, canivetes multiuso, palas, serras e outros utensílios por exemplo; durepoxi, fita de nylon para amarrar (tipo mochilas) .

- barracas de acampamento

- Lanternas tipo led, ou ecológicas, baterias recargáveis com carregadores.
 
- Medicamentos homeopáticos de emergência sobretudo para problemas do estomago ( acidez, gastrite, úlcera, etc.) e respiratórios. Antibióticos e vitaminas do complexo B, sobretudo se for bem concentradas.

- Ferramentas e materiais de dentista e cirurgia: fio de cirurgia, pinças de diferentes tipos, bisturis e cabos (suportes dos bisturis). – diversos: Cordelete de 5 a 7 mm de diâmetro de escalada, Filtros de água portáteis, Ozonadores de água, Mantas térmicas tipo refletivo, material de informática (CD e DVD’s), peças de computadores como HD – discos rígidos, placas mãe, equipamentos solares portáteis (placas), placas wireless USB para PC, Sementes crioulas com em bases originais,
 
- Itens de higiene pessoal: pasta de dente, escovas de dentes, sabonetes, shampoo, desodorantes,
- Alimentos não perecíveis , agasalhos e cobertores 

A campanha pretende somar grandioso esforço de apoio humanitário ao povo cubano, que está vivenciando momentos muito duros, desde a passagem dos furacões Gustav e Ike que devastaram considerável parte do território do arquipélago, com as conseqüentes perdas e danos em milhares de casas, hospitais, escolas, plantações, serviços comunitários básicos essenciais, assim como pertences pessoais indispensáveis para retomar a normalidade do país.

O objetivo fundamental é captar recursos materiais e financeiros para socorrer as vítimas dos furacões, assim como respaldar a luta contra o Bloqueio imposto injustamente pelos Estados Unidos por quase meio século, e que tem o apoio da maioria dos países membros da Assembléia Geral da ONU.

Nesta primeira etapa da campanha, entidades como sindicatos e associações em todo o país estão servindo como pontos de coleta de itens que pesem pouco e sejam muito úteis, como medicamentos, material de informática, equipamentos para bicicletas, que serão remetidos a Cuba pela ANCREB em um contêiner disponibilizado pelo governo brasileiro ao consulado cubano no país.
Também em Belo Horizonte, o Sindicato dos Economistas está sendo um ponto de coleta até o dia 28 de outubro,à Rua Paraíba 777, entregando para Diana de 12,30h. as 18h . 

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Monday, September 22, 2008

Cinco heróis cubanos presos nos EUA enviam mensagem

Em 9 de agosto último, sete anos depois do julgamento em Miami, o 11° Circuito da Corte de Apelações revogou as sentenças dadas aos
cinco heróis cubanos — René González, Gerardo Hernández, Fernando González, Ramon Labañino e Antonio Guerrero
— alegando que o processo não foi justo e que o juízo dado pelo tribunal local foi parcial, submerso pelo preconceito contra o governo do presidente Fidel Castro.

A notícia de que os Cinco poderão passar por um julgamento dentro de uma atmosfera “imparcial” e justa, diferente da que aconteceu em Miami em 1998, foi celebrada em Cuba em todo o mundo, onde milhares pediram justiça durante todos estes anos.

12 de septiembre de 2008

Queridos amigos de todo el mundo:
Hoy se cumplen diez años de que las autoridades federales norteamericanas, en papel de vulgares cómplices de la mafia terrorista de Miami, irrumpieran en nuestros hogares con abrumadora violencia para iniciar este vergonzoso capitulo en la historia de agresiones contra Cuba.

Durante toda una década la brutalidad de aquella madrugada no ha hecho mas que replicarse, asumiendo las formas adecuadas a cada eslabón del poder imperial a fin de perpetuar el crimen. Así se ha consagrado ante el mundo el derecho de los terroristas de atacar a Cuba con impunidad desde Miami, bajo la benevolencia y protección del gobierno más poderoso e inmoral de la tierra.

El disciplinado silencio de las transnacionales de la desinformación ha sido un elemento clave en la consumación de esta burla. Gracias a El se han ocultado al mundo sus propósitos inconfesables, sin que se expusiera a la vergüenza pública la naturaleza incivilizada y vengativa de un sistema de justicia que solo funciona en la cinematografía.
 
Ante ese silencio la voz de todos ustedes ha permanecido en la denuncia, como recordatorio de que en el mundo aun hay conciencia y vocación de justicia. Sus incontables muestras de apoyo nos han servido de aliento y son un perenne desafío al control que sobre las conciencias humanas ejercen nuestros victimarios. No nos hacemos ilusiones.

Sabemos que se seguirá descargando sobre nosotros un odio irracional, y que se nos hará pagar por los cincuenta años de resistencia indoblegable protagonizada por nuestro pueblo. Al enemigo no escapa el simbolismo de nuestra moral en contraste con sus bajezas, y eso no nos será perdonado. No esperamos que los jueces norteamericanos, por pura vocación, opten por apegarse a sus leyes. Tenemos que seguir denunciando, movilizando, sensibilizando y despertando conciencias.

Hay que multiplicar lo que ya se ha hecho, hasta que el peso de la vergüenza universal supere a la desvergüenza que ha animado este proceso. Seguiremos confiando en ustedes. Seguiremos reconociendo sus esfuerzos, admirándoles y profesándoles nuestro agradecimiento.
Seguiremos resistiendo.

Hasta la Victoria Siempre. Gerardo, Ramón, Antonio, Fernando y Rene

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Wednesday, August 13, 2008

Mais um aniversário de Fidel em 13 de agosto

Parabéns, muitos anos de vida e saúde para Fidel
Arriba Fidel!!!
Symphronio

FIDEL CASTRO – 82 ANOS

Bolivar lançou uma estrêla, que junto Marti brilhou, Fidel a dignificou para andar por estas terras. (Pablo Milanes)  LEIA O GRANMA EM PORTUGUÊS

            Uma das maiores lideranças populares de todos os tempos da América Latina e do mundo, Fidel é ao mesmo tempo o nosso maior teórico e o nosso maior estadista e por que não dizer o nosso maior herói vivo.

È oportuno recordar uma breve história ocorrida lá pelo final da década de 1970, quando em uma de suas viagens à África, Fidel juntamente com o então presidente, secretário geral da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) e líder da revolução moçambicana, Samora Machel, participavam da inauguração de uma praça. Quando Fidel soube que o nome da praça se chamaria Samora Machel, ele se dirigiu a este grande revolucionário africano e lhe disse: “Em Cuba, nós homenageamos somente os nossos heróis mortos, nunca os nossos heróis vivos”.

Fidel Castro entrou para a história de nossos povos e lá estará entre os seres que mais personificaram e incorporaram a idiossincrasia latino-americana, a solidariedade para com a luta de todos os oprimidos, os mais elevados valores éticos, um dos mais elevados espiritos de sacrifício pela justas causas da humanidade. Sua obra pode ser vista em todos os rincões do mundo, onde o povo cubano sob sua direção e exemplo cultivou e cultiva exemplos de uma solidariedade desinteressada. Sua obra pode ser vista em Angola onde ao lado do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) e de seu máximo dirigente, Agostinho Neto, Cuba contribuiu para a expulsão dos mercenários e das tropas rascistas do “apartheid” sul-africano. Sua obra também pode ser vista na Etiópia, no Congo, na Argélia, na Namíbia, em El Salvador, Nicarágua, Venezuela, Bolívia e em dezenas de países onde Cuba através de diferentes meios, seja pela assistência de profissionais de saúde ou de educação, seja pela solidariedade efetiva aos processos revolucionários e de libertação nacional, contribuiu de forma decisiva no processo de luta antimperialista.

Sua maior obra é a Revolução Cubana que há quase 50 anos enfrenta um duro bloqueio econômico e agressão da maior potência imperialista. Apesar de todas as dificuldades, Cuba segue sendo um exemplo de coerência de princípios e de construção em seu território de um regime econômico e político baseado nos princípios socialistas.

O povo cubano e os povos do mundo comemoram neste 13 de agosto de 2008, o 83º aniversário do eterno Comandante. Fidel Alejandro Castro Ruz, nasceu em 1926, em Biran, província de Holguin.  

            Desde muito jovem se interessa por história e por política se identificando com as lutas dos nossos povos. Em 1945 ingressa na Universidade de Havana, onde cursou direito e se formou em 1949.

            Em 1947 participa de uma expedição, que acaba fracassando, que visava derrubar o ditador Rafael Trjullo, então mandatário a serviço e apoiado pelos Estados Unidos e que esteve no poder por décadas através da ingerência inclusive militar do imperialismo.

            Em 1948, quando é assassinado o líder liberal Eliecer Gaitan, então forte candidato à presidência da Colômbia e uma das razões para eclosão da guerra civil que assola este país irmão até os dias em que vivemos, Fidel encontrava-se em Bogotá, participando do Congresso Latino-Americano de Estudantes.

            Após formado vincula-se ao Partido do Povo Cubano liderado por Eduardo Chibás. Em 10 de março de 1952, Fulgêncio Batista lidera um golpe de estado e assume o poder a mando do imperialismo, instituindo um regime baseado no terror e violência.

            Em 26 de julho de 1953, Fidel juntamente com mais 150 companheiros participa do assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, que significaria uma nova etapa na luta do povo cubano pela sua verdadeira independência. Este evento é ainda hoje comemorado pelo povo cubano com um marco fundamental de sua história. A tentativa se frustra e acaba com a prisão dos revolucionários, entre eles Fidel, que ficaria preso por mais de um ano. O julgamento de Fidel se tornou célebre por sua defesa feita por ele mesmo e que foi editada e distribuída por seus companheiros que estavam em liberdade e que ficou conhecida sob o título de “A História me Absolverá”. Ali está o programa da revolução cubana.

            Mais tarde, Fidel funda o M-26 (Movimento 26 de Julho), um dos três agrupamentos que lutaram até a derrocada da ditadura de Batista. No exílio no México, Fidel e outros companheiros continuam a organizar a luta, culminando com a expedição do Iate Granma, em fins de novembro de 1956, que sai do porto mexicano de Tuxpan para Cuba. Em primeiro de janeiro de 1959 triunfa a Revolução Cubana.

            Em abril de 1961, Fidel lidera pessoalmente as tropas que combatem e rechaçam a invasão dos mercenários armados, financiados e treinados pela CIA e pelo governo dos Estados Unidos, em Playa Giron.

           

            A história de Cuba, da América Latina e do mundo contemporâneo se confunde em grande parte com a vida de Fidel. Ao largo destes quase 50 anos da Revolução Cubana, ele foi um protagonista em nossa história. Esteve sempre ao lado daqueles que levaram as mais justas bandeiras, daqueles que defenderam os mais elevados valores morais, daqueles que mantiveram acesa a chama da luta por um mundo melhor e voltado para satisfazer as necessidades de todos os nossos povos.

            Fidel está no mesmo rol dos homens raros que como Augusto César Sandino, Augustin Farabundo Marti, Carlos Fonseca, e tantos outros, que devotaram sua vida à luta pela verdadeira libertação dos nossos povos. Muitos deles, como Fidel, ainda estão entre nós.

            Hoje, Fidel assumiu novo papel na frente de batalha. Não mais está à frente das responsabilidades de estado. Lúcido como sempre, ele segue com seu exemplo e palavras orientando e contribuindo com luta dos povos de todo o mundo.            Esperamos comemorar muitos aniversários de Fidel com ele ainda em vida

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Monday, July 28, 2008

Semana Cubana – Siempre es veintiséis

 

55º aniversário do ataque aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes também foi comemorado em Belo Horizonte por  brasileiros e cubanos  residentes na capital .

A Associação Cultural José Marti de Minas Gerais e o Programa Soyloco por ti America, da rádio comunitária Carocol, promoveram a Semana Cubana com filmes e shows de música cubana no Cafofo NetCine . A programação que teve início no dia 23 com mostra de fimes cubanos e terminou dia 26 de julho  com show da artista cubana Teresa Morales, no Cafofo Net Cine.

 

 


A antiga fortaleza militar, atacada em 26 de julho de 1953 por um grupo de jovens, liderados por Fidel Castro, que virou Cidade Escolar 26 de Julho depois do triunfo da Revolução.

O ataque ao Quartel Moncada de Santiago de Cuba em 26 de julho de 1953, foi uma notícia que o mundo desconheceu. Os jornais publicaram que o jovem advogado cubano Fidel Castro Ruz, com um grupo de jovens, atacaram a segunda fortaleza militar do país, com o propósito de mudar a situação cubana, quer dizer, devolver a esmagada Constituição da República, derrubando o general Fulgencio Batista que apenas um ano antes — em 10 de março de 1952 —dera um golpe de Estado militar, tirando do poder o presidente Carlos Prío Socarrás, eleito democraticamente.

Dessa maneira o mundo ignorou que esse dia, em 26 de julho — domingo — foram torturados e assassinados, extrajudicialmente, uns 46 jovens presos, e em dias sucessivos a cifra aumentou a mais de 60, embora as notícias militares dissessem que tinham morto em combate com o exército. Em 26 de julho somente seis combatentes revolucionários morreram combatendo no quartel de Santiago de Cuba.

Quando no julgamento efetuado em Santiago de Cuba a partir de 21 de setembro de 1953 (Causa 37) o procurador perguntou a Fidel quem era o autor intelectual do Moncada, este respondeu com ênfase que ninguém tinha que preocupar-se, que o único autor do ataque ao Moncada era José Martí.
O revés tático começou a tornar-se uma vitória estratégica a partir de 21 de setembro, quando o chefe do Movimento revolucionário e do ataque ao Moncada — Fidel Castro — compareceu pela primeira vez ante o Tribunal, no Palácio de Justiça de Santiago de Cuba, como acusado e advogado, assumindo a defesa do ataque. Suas declarações e o processo de interrogatórios — como advogado — foram tão convincentes quanto às versões divulgadas desde o 26 de julho por Batista e seus cúmplices militares, que aquele julgamento mudou seu projeto em 48 horas e de acusado, Fidel tornou-se acusador.
Fidel pronunciou oralmente  sua alegação de autodefesa, conhecido no mundo todo como A História me absolverá, discurso que ele mesmo reproduziu num texto durante o tempo que esteve na prisão, no antigo presidio Modelo, na Ilha de Pinos. As ações de 26 de julho de 1953 transformariam o mapa político de Cuba e do resto da América, constituindo um exemplo de que uma Revolução social era possível. O exemplo que mostrou esse grupo de cubanos, apoiados depois pela luta e pela vitória da anistia; pela expedição do Granma e a luta do Exército Rebelde na Serra Maestra; pela união dos grupos revolucionários; a greve geral de 1º de janeiro de 1959, convocada por Fidel, como comandante-em-chefe, e 55 anos de resistência dum povo, são o aval da importância daquele dia que o mundo não levou em conta.
(Fonte: Granma Internacional de 25 de julho)

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Sunday, June 29, 2008

Raúl Castro : balanço dos 100 dias de governo

Cuba jamais será a mesma de Fulgêncio, o ditador, ou de Fidel Castro, o revolucionário. Será a Cuba de Raúl Castro, el nuevo presidente.

BUENOS AIRES , Argentina (De Rogério Perez- jornalista mineiro,atualmente chefe de redação do Jornal Hoje em Dia)

Os primeiros 100 dias do afastamento-renúncia de Fidel Castro do comando de Cuba e da confirmação de Raúl Castro, irmão do ex-presidente e agora conselheiro e um dos defensores dos ideais da revolução cubana, como seu sucessor  repercutiram nos jornais, rádios e televisões, também na Internet e outras mídias, no começo de junho. Ainda mais que com a virtual decisão dos democratas norte-americanos de confirmarem o negro norte-americano Barack Obama, derrotando Hillary Clinton, mulher de Bill Clinton, como adversário de John McClain, dos republicanos, na sucessão do atual presidente George W. Bush nas eleições dos EUA, ambos anunciando disposição de rever o bloqueio econômico, social e político e as sanções contra Cuba, até as relações menos duras contra o governo de Havana.


Raúl Castro assumiu, oficialmente e referendado pelo regime cubano, em 24 de fevereiro passado, e os jornais latino-americanos, especialmente os de língua espanhola, e toda mídia internacional estão prevendo novos rumos, lentos e graduais, para a revolução cubana e mudanças econômicas, sociais e nas relações com os Estados Unidos e o resto do mundo, a partir das reformas e medidas tomadas pelo novo governo revolucionário, que vão desde libertação de presos até menos restrições econômicas e, uma novidade cubana, a liberação de celulares, de moedas não oficiais e muitas medidas que agradam os cubanos e, principalmente, os observadores internacionais.


As medidas  serão devidamente referendas ou não no VI Congresso del PCC (Partido Comunista Cubano) confirmado por Raúl e antes por Fidel, para o segundo semestre de 2009, dentro de um ano aproximadamente. Até lá, Cuba jamais será a mesma de Fulgêncio, o ditador, ou de Fidel Castro, o revolucionário. Será a Cuba de Raúl Castro, el nuevo presidente de Cuba.


A enfermidade do comandante Fidel Castro abriu espaço para uma distensão dentro e fora de Havana. Os mais conservadores consideram tíbias as mudanças e há mais expectativas do que certezas depois dos 100 primeiros dias do novo presidente. Por outro lado, os mais progressistas consideram que Cuba vai se tornar – como dizia Che Guevara, que vivo fosse estaria completando 80 anos  em 14 de junho, com comemorações em Rosário, na província de Santa Fé na Argentina e em todo mundo latino-americano e socialista, que “hay que endurecer (o distender) pero sin perder la ternura jamás” – em um novo e grande exemplo da evolução e libertação, pela segunda vez, do indomável povo cubano, orgulhoso e certo de sua determinação mundial, sem preconceitos e sem imposições externas.

Raúl Castro, o novo e mais flexível homem forte de Cuba, já sabia, antes de assumir e começar as mudanças nos itens sociais e econômicos, que teria de adaptar-se ao novo momento histórico, o mais importante depois da derrubada de Batista e da invasão da Baia dos Porcos, pelos marines e cubanos exilados, no governo de John F. Keneddy, que quase gerou uma nova guerra mundial.“Llegou  la hora del cambio”, dizem autoridades cubanas e também de fora de Havana.

Com muitos críticos, que o consideram um mero repetidor da idéias e teses de Fidel , Raúl Castro, novo presidente cubano, é identificado por  ter uma visão utilitarista da política e suas anunciadas medidas são mais de esperança e expectativa do que de resultados práticos depois de três meses e dez dias de poder compartido, como diz a música de sucesso internacional “Lábios Compartidos” em espanhol e outras línguas.

Raúl tem repetido que “Revolución es cambiar todo lo que debe ser cambiado. Revolución es sentido del momento histórico”, uma das frases-chave ou clave como dizem os cubanos, do ideário defendido por Fidel Castro desde um discurso, longo e premonitório, de 26 de julho de 2007, quando ele já percebia que sua hora de líder revolucionário estava acabando e que deveria preparar a sucessão sem maiores traumas internos e externos. Daí as reformas, na maioria boas e óbvias, de agrado interno e externo, em quase quatro meses de mudanças dentro e fora do Palácio de Governo em Havana, terem suscitado, até agora, reações dispares e ideologicamente acentuadas.

Os pró-Cuba comemoram que a queda do regime socialista e a invasão dos cubanos exilados de Miami e toda Flórida não tenham se confirmado e os anti-Fidel e Raúl dizendo que eles não querem mudar nada e sim perpetuar o movimento vitorioso sobre o ditador Fulgêncio Batista, que mudou a história de Cuba e das Américas, nos anos 50 com seu governo desmoralizado e a maior roubalheira vista nas chamadas repúblicas-satélites dos EUA na América Central e também do Sul.

 Há muita ideologia e pouca habilidade dos dois lados, mas o mais importante, dizem editoriais, analistas e gente que vive o dia-a-dia do bloqueio e das pressões e mazelas de dentro e fora de Havana, é que depois da saída estratégica, mas não total e incondicional de Fidel Castro, Cuba vive uma nova e menos traumática revolução. A sonhada revolução vitoriosa de Che Guevara e de todos que derrubaram Batista e depois enfrentaram o massacre comando pelos EUA e seus aliados, no mais longo bloqueio da história moderna ocidental.

“Los 100 dias del nuevo presidente Raúl Castro, o hermano de Fidel”, como é mais tratado, com certa ironia, pelos detratores, vão derrubando previsões apressadas e negativas, também euforias pós-queda do Muro de Berlim e outros ícones anti-socialistas ou comunistas modernos. Há esperança e esceptismo (ceticismo) dizem os correspondentes de Havana aqui no Cone Sul, como César Luiz González Calero, do conservador e influente ” La Nacion “, de Buenos Aires, em seu balanço das reformas, direto de Havana e em falas a rádios e televisões.

 É assim que Cuba, Havana, Raúl Castro, os cubanos da Ilha e os que esperam grandes mudanças direto de Miami (a pronúncia correta é como se escreve míamí e não maiami como querem os brasileiros da mídia) e de outros centros de exílio, voluntário na maioria, dos que queriam seguir com a ditadura que favorecia as elites cubanas e muitos  interesses, ilegais e escusos, ou se desentenderam como os rumos da vitoriosa empreitada de Sierra Maestra e suas conseqüências, que tanta discussão e atritos provocam pelo mundo todo.

 Fora de Havana ou nos EUA e outras partes, embora a maioria dos povos e nações sempre seja a favor e até trabalham no apoio a Cuba, seja de Fidel ou agora de Raúl Castro. Há investimentos, turismo, ajuda humanitária e uma simpatia pelos cubanos que é fácil de constatar, na mídia menos conservadora e fora dela.

É o ideal da verdadeira Cuba Libre, que não é apenas um nome de um coquetel de rum negro e coca-cuela como dizem os brasileiros em portunhol. Há expectativa, palavra mais usada em toda mídia, em especial nos países de língua espanhola e francesa, que a nova Cuba va ser ainda melhor que a atual, que tem índices de Primeiro Mundo em saúde, medicina preventiva, educação, esportes e cultura. “A la gente se la se ve esperanzada por primera vez em mucho tiempo” dizem os cubanos comprometidos com Fidel e Raúl. Já os contra, repetem frases-chavão como “No ha cambiando nada. El futuro pinta gris (cinza) com despuntes (detalhes) negros” falam habaneros que querem a volta de um ambiente de 50 anos atrás, que a grande maioria renega e tanto que hoje apóia Raúl Castro, como apoiava, não com tanto charme e ideal revolucionário, Fidel Castro

. É a Havana e a Cuba 100 dias depois de Fidel sair de cena para ficar nos bastidores e nos editoriais do “Gramma”, jornal mais influente do governo cubano e da Ilha .

Na verdade os dois lados da moeda cubana são igualmente fáceis de defender. Mas a dignidade e o respeito dos cubanos, que vivem em Havana e Varadero, em Matanzas e nas cidades menos conhecidas, da bela e misteriosa Ilha de Cuba, o maior símbolo da resistência de um povo no pós-guerra. Raúl Castro fez 77 anos, dia 3 passado, e Fidel já passou dos 80 anos.

Fidel,que sobreviveu a 10 presidentes norte-americanos, ainda defende certas restrições e teme que os EUA e aliados sufoquem as conquistas pós-revolucionárias que são conhecidas e enaltecidas desde os esportes à saúde, tratamentos especiais, educação e parâmetros de qualidade de vida, em suposta defesa de liberdades políticas ou econômicas. Raúl Castro, timidamente, quer ir fazendo a abertura econômica e social, com avanços que vão desde liberação de celulares, a acesso a hotéis cinco estrelas, compras e contratos em Cuba e exterior. Uma certeza é geral: Cuba não será mais a mesma depois da saída voluntária de Fidel e da posse, há mais de 100 dias, de Raúl Castro. O sonho que ia completar 80 anos em meados de junho do líder e real pensador da Revolução Cubana dos anos 50, Ernesto Che Guevara, está vivo, na memória e nos corações e mentes de cada cubano, na Ilha do Caribe ou espalhados pelo mundo. Cuba vive! (RP)

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Wednesday, June 4, 2008

Cultura e solidariedade

O vice-ministro da Cultura de Cuba, Fernando Rojas (o segundo da direita para a esquerda), falou do direito à autodeterminação, à soberania e à não-intervenção e o papel da mídia na manipulação do imaginário contemporâneo,

durante a realização do Fórum Internacional Novos Paradigmas para a Integração Latino Americana e XVI Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, no Rio de Janeiro, de 19 a 24 de maio de 2008.

num contexto em que a Ilha se torna referencial mundial no seu papel de resistência e, apesar do mais longo bloqueio econômico na história da humanidade, comemora 50 anos de revolução, em janeiro de 2009.  (veja mais fotos  no site da Ancreb – Associação Nacional de Cubanos residentes no Brasil  e no album do blog)

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